área de acesso restrito
  • continuar conectado
Lembrar minha senha
sem cadastro

Cuidado e proteção para enfrentar a crise

21/07/2020 | Geral

Com a pandemia do novo coronavírus, empresas e entidades do transporte público por ônibus, em conjunto com prefeituras, se movimentam para garantir a continuidade do serviço enquanto protegem passageiros e colaboradores


A pandemia da Covid-19 causou um impacto sem precedentes no cotidiano de bilhões de pessoas ao redor do mundo. Com grande parte da população tendo que se confinar em suas residências, coube ao transporte público, como um dos serviços considerados essenciais, transportar aqueles que precisam sair de casa para garantir o funcionamento de atividades fundamentais, como os profissionais de saúde.

O principal desafio do transporte coletivo tem sido garantir a segurança de usuários e colaboradores em um momento adverso e manter a qualidade dos serviços oferecidos. Logo no início da crise global, em fevereiro, a NTU divulgou para as empresas associadas e entidades filiadas um conjunto de recomendações para a prevenção e o combate à Covid-19 na perspectiva dos passageiros e dos operadores, segundo orientações das autoridades de saúde (leia aqui). O protocolo de prevenção tem sido atualizado e foi enviado ao Governo Federal e autoridades estaduais e municipais.

Outra medida importante foi a inclusão de motoristas e cobradores do transporte coletivo no grupo prioritário da segunda fase da Campanha Nacional de Vacinação contra a Gripe, que teve início antecipado para 16 de abril. A ação, feita em parceria com a Confederação Nacional do Transporte (CNT), teve como objetivo a redução da incidência de outras doenças respiratórias entre os rodoviários.

Além das ações nacionais, cada empresa ou entidade desenvolveu, em articulação com o poder público local, um conjunto de ações que buscam orientar, preservar e oferecer segurança a funcionários e passageiros, além de adotar um olhar mais cuidadoso com a sociedade de forma geral.

Segundo levantamento diário produzido pela NTU para medir os impactos do coronavírus no transporte público por ônibus no Brasil, a principal medida de prevenção à Covid-19 adotada pelas empresas foi o aumento da higienização de ônibus, terminais e pontos de parada (45% da amostra), seguida da limitação de passageiros a bordo nos coletivos (34%), uso obrigatório de máscara no transporte público (30%), disponibilização de álcool em gel (30%), circulação com janelas abertas (24%) e divulgação de informações (21%), sendo que muitas empresas adotaram mais de uma medida. O levantamento é nacional e reflete um momento em que muitos municípios ainda não estavam afetados pela pandemia. 


Higienização e fiscalização em dobro

Em Manaus (AM), a Vega Manaus Transportes intensificou a limpeza de sua frota ao adquirir um novo equipamento de lavagem a vapor, capaz de lavar cada veículo em até 25 minutos. A lavagem feita pela máquina é mais eficiente e ecologicamente correta ao não usar componentes químicos e exigir pouco uso de recursos naturais, além de entregar um resultado melhor.

"O cenário de pandemia é mais um motivo para adotarmos métodos de limpeza cada vez mais eficientes, uma vez que o transporte coletivo recebe muitos passageiros diariamente. Por isso, optamos por limpadoras a vapor que são comprovadamente eficazes para desinfecção e garantem uma higiene adequada, eliminando germes ou vírus prejudiciais, como o novo coronavírus, devido à alta temperatura de operação", afirmou o diretor da empresa, Marco Aurélio Feitosa.

Poços de Caldas (MG), por sua vez, intensificou a limpeza dos terminais de ônibus. Uma mistura à base de cloro e água, chamada hipoclorito de sódio, vem sendo aplicada três vezes por semana, durante a madrugada, em terminais e rodoviárias, além de outras áreas comuns. A substância é capaz de matar o novo coronavírus. Para diminuir o risco de aglomerações, especialmente de pessoas acima de 60 anos, a prefeitura retirou os assentos do Terminal Central da cidade.

Barreiras físicas e proteção individual

Em Aracaju (SE), diante da dificuldade na aquisição de máscaras para todos os colaboradores, o Sindicato das Empresas de Transportes de Passageiros do Município (Setransp) decidiu instalar barreiras de proteção em quase 100% da frota da capital sergipana. Foram instaladas cortinas de plástico transparentes e placas de acrílico nos postos de motoristas e cobradores nos ônibus para diminuir a chance de contágio.

Para o presidente do Setransp/Aracaju, Alberto Almeida, o serviço de transporte é essencial para a população, então buscar formas de prevenção contra contaminação para proteger o trabalhador e o passageiro é contribuir para que o serviço continue. “As empresas do transporte da capital seguem reforçando a limpeza geral diária dos terminais e ônibus, e fazendo a higienização frequente dos mesmos nos horários de repouso. Além disso, mantemos as campanhas de orientação, com cartazes e mídia, sobre incentivo à lavagem das mãos, o uso da máscara e a necessidade de manter o distanciamento social. Os orientadores de embarque nas filas dos terminais também contribuem alertando sobre o distanciamento e o respeito ao limite de pessoas sentadas nos veículos para evitar aglomerações", disse.

Os ônibus de Salvador (BA) também adotaram barreiras de proteção para proteger os funcionários do contágio. Por recomendação da Secretaria Municipal de Mobilidade (Semob), mil veículos que fazem parte do Consórcio Integra contarão com cortinas de plástico resistente e transparente nos locais de trabalho de motoristas e cobradores, que serão instaladas gradualmente. Os trabalhadores do transporte da capital baiana também têm à disposição máscaras e álcool em gel ofertados pela Semob.

Na Grande São Paulo, a empresa Radial Transporte distribuiu máscaras caseiras para usuários do transporte nos terminais de Suzano e Ferraz de Vasconcelos. Segundo a empresa, as máscaras foram adquiridas de moradores da região do Alto Tietê como forma de gerar renda para as famílias afetadas pela quarentena.

A prefeitura do Rio de Janeiro (RJ) instalou cabines de desinfecção em pontos de BRT, além de metrô, barcas e trem. As cabines contam com dispositivos que pulverizam uma substância chamada Atomic 70, desenvolvido por um laboratório de São Paulo e certificado pela Anvisa. Uma vez que a presença do usuário é detectada pelo sensor, os borrifadores liberam a substância, que é inofensiva aos olhos, pele e cabelos. O produto combate vários tipos de vírus, entre eles a Covid-19. A Prefeitura também fez a distribuição de máscaras nas estações do BRT.

Intensificação da Bilhetagem Eletrônica

A Organização Mundial da Saúde (OMS) constatou que o dinheiro pode ser uma via de contágio do novo coronavírus. Segundo infectologistas, o vírus pode permanecer ativo nas cédulas entre 3 a 5 dias. Um indivíduo doente, ao manusear dinheiro sem lavar as mãos, pode contaminar quem receber a cédula depois. Por essa razão, muitas empresas de transporte público têm promovido o uso da bilhetagem eletrônica, uma vez que os cartões usados por esse método de pagamento são pessoais e, portanto, não há o risco de infecção.

A Aracajucard, em parceria com a Setransp e a Prefeitura Municipal de Aracaju, realizou a campanha "Prevenção e pensamento coletivo", que buscou incentivar os passageiros a adotarem o uso do cartão Mais Aracaju Pré-Pago e diminuir a movimentação de cédulas nos coletivos da capital sergipana. Nos Terminais de Integração DIA, Atalaia e Leonel Brizola, os cartões foram distribuídos aos usuários, já com a recarga e a primeira via grátis, em troca do valor da tarifa. Estima-se que 70% dos usuários de Aracaju já aderiram à bilhetagem eletrônica.

Em Vitória (ES), os ônibus da Transcol, que atendem toda a região metropolitana da capital, não aceitam mais pagamento em dinheiro. Todos os passageiros passaram a usar o bilhete único para o pagamento das tarifas. Segundo o secretário de Mobilidade Urbana e Infraestrutura do Espírito Santo, Flávio Damasceno, a decisão foi tomada levando em consideração dois aspectos. O primeiro é a questão sanitária: a retirada do dinheiro a bordo elimina um possível vetor do vírus e reduz o contato dos passageiros com os funcionários das empresas.

O segundo aspecto é financeiro, pois com o afastamento provisório dos cobradores foi possível reduzir custos do sistema e manter o equilíbrio econômico durante a crise, uma vez que a demanda caiu por conta das medidas de restrição de circulação, mas a operação está próxima do normal para manter as normas de distanciamento nos coletivos, que devem circular somente com passageiros sentados.

De acordo com o diretor executivo do Sindicato das Empresas de Transporte Metropolitano da Grande Vitória (GVBus), Elias Baltazar, a expectativa das empresas é de que o pagamento em dinheiro seja praticamente extinto. "Como estamos comercializando um número grande de cartões, acreditamos que o pagamento nessa modalidade fique bem próximo dos 100% após a pandemia", explica.

Como medida de segurança os cobradores foram afastados, com parte dos funcionários sendo direcionada para a venda dos cartões em terminais, farmácias e unidades móveis. "As empresas optaram por suspender os contratos, aderindo ao programa do Governo Federal, que arcará com 70% dos salários, ficando as empresas responsáveis por garantir os benefícios e 30% dos vencimentos. Dessa forma, os empregos foram garantidos com vencimentos integrais", ressaltou Elias.

Serviço exclusivo

Em Cuiabá (MT), no período de 10 de abril a 10 de maio, as empresas só podiam atender trabalhadores de serviços essenciais. Assim, os coletivos foram identificados com adesivos e algumas linhas específicas ficaram responsáveis pelo itinerário dos hospitais públicos e privados da Capital. No ato do embarque, os trabalhadores da saúde eram orientados a apresentar o crachá a um fiscal. Cerca de 30% da frota opera neste período, sendo que um terço dos ônibus são destinados exclusivamente a profissionais de saúde, enquanto o restante atende aos demais trabalhadores. Profissionais da saúde acima de 60 anos passaram a ter gratuidade.

 “Após estudo, destinamos parte da frota atendendo as quatro regiões da cidade (Grande CPA, Pedra 90, Parque Atalaia e Avenida Dante Martins de Oliveira)", informou Ricardo Caixeta, diretor de Relações Institucionais da Associação Matogrossense dos Transportadores Urbanos (MTU).

Já em Campo Grande (MS), o Consórcio Guaicurus, em parceria com a prefeitura, também disponibilizou linhas de ônibus para uso exclusivo dos profissionais de saúde da cidade que dependem do transporte coletivo. A Agência Municipal de Transporte e Trânsito (Agetran) definiu itinerários especiais para essas linhas de acordo com o endereço dos hospitais e dos funcionários.

Cidades de outros estados também ofereceram parte de sua frota para uso de trabalhadores da saúde: Limeira (SP) criou três linhas com essa finalidade, as chamadas ''especiais da saúde'', que passam em cada um dos hospitais da cidade. Resende (RJ), por sua vez, ofereceu ônibus para servidores que moram em cidades vizinhas, como Volta Redonda e Barra Mansa.

Campanhas sociais

Além de garantir a segurança de usuários e colaboradores, os agentes do transporte coletivo foram além e oferecem assistência à população mais afetada pela pandemia. Em Goiânia (GO), a HP Transportes se uniu à Organização das Voluntárias de Goiás (OVG) para realizar a campanha "Viagem Solidária", que arrecada produtos de higiene e limpeza para famílias em situação de vulnerabilidade social.

Os pontos de coleta são os miniônibus do CityBus 2.0, serviço de transporte coletivo sob demanda. Ao solicitar o serviço, os usuários são informados sobre a campanha e podem entregar os donativos ao motorista. As doações são destinadas à Campanha de Combate à Propagação do Coronavírus, realizada pela OVG e pelo Gabinete de Políticas Sociais do Governo de Goiás.

“O medo de se contagiar pelo coronavírus, o isolamento social e as dúvidas sobre o futuro são comuns a todos. Porém, o problema se acentua muito para as famílias de baixa renda, que sofrem e se enfraquecem pela falta de alimento. É necessário então que nos coloquemos no lugar dos mais pobres e nos unamos, solidariamente, para amenizar a dor da fome. Assim, sairemos melhores dessa crise que afeta a humanidade”, afirmou a diretora executiva da HP Transportes, Indiara Ferreira.

Em Natal (RN), o Sindicato das Empresas de Transportes Urbanos de Passageiros do Município do Natal (SETURN) iniciou a campanha

"Busão Solidário", que arrecadou cestas básicas destinadas às famílias de baixa renda da capital potiguar. Vários ônibus caracterizados são utilizados como pontos de coleta de mantimentos que, ao fim do expediente, são levados à garagem da SETURN para separação, organização e distribuição. Já foram arrecadadas mais de 30 toneladas de donativos, com 1.500 famílias beneficiadas por meio da entrega de 1.800 cestas básicas, além de kits com itens de limpeza e higiene. Estes são alguns exemplos das muitas ações adotadas pelas empresas de todo o Brasil – a lista é longa e não caberia nesta reportagem.

Matéria publicada na Revista NTUrbano Edição 44, Março/Abril.