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Cidades Inteligentes: o desafio da década 2020

10/02/2020 | Artigo

Cileneu Nunes, CEO da Upaya Desenvolvimento Corporativo, empreendedor, mentor e acelerador de startups: ''Torna-se urgente repensar o modelo de organização das cidades e surge o conceito de Cidades Inteligentes''

Por Cileneu Nunes*

O tema das Cidades Inteligentes está cada vez mais presente nos fóruns mundiais e representa um dos principais desafios para a humanidade na década que se inicia.

As previsões indicam que até 2050, mais de 70% da população mundial estará vivendo em cidades que cobrem menos de 2% da superfície da Terra. O cenário é preocupante, pois o processo de urbanização já provoca efeitos colaterais, tais como o aumento da desigualdade, poluição ambiental, congestionamento de tráfego, redução da mobilidade, da segurança, da qualidade de vida e da saúde dos moradores.

Torna-se urgente repensar o modelo de organização das cidades e surge o conceito de Cidades Inteligentes. Esse conceito está intimamente associado à denominada 4ª Revolução Industrial, movimento inédito e espetacular de evolução da tecnologia, transformação da vida social e dos modelos de negócio no mundo.

Processos transformadores, as chamadas “revoluções industriais” impactaram a sociedade e a formação das cidades nos últimos 200 anos. A primeira impôs um novo ritmo de desenvolvimento econômico ao mecanizar os sistemas de produção e atrair trabalhadores rurais para as regiões urbanas. A segunda permitiu a manufatura em massa ao usar novas tecnologias e criou a sociedade de consumo. A terceira reduziu custos de produção com a chegada da informática e criou a sociedade da informação.

A quarta onda será baseada em inovações disruptivas, tais como BigData, Inteligência Artificial, Aprendizado de Máquina, Robôs, Drones e Veículos Autônomos, Câmeras com Visão Artificial, Sensores e Atuadores interconectados através da Internet das Coisas e Redes de 5ª Geração.

Esse aparato tecnológico possibilitará a implantação de um novo tipo de infraestrutura para gestão das operações da cidade, incluindo o monitoramento e gerenciamento de bens públicos, o controle da mobilidade, trânsito, segurança e iluminação, da distribuição de energia limpa, do abastecimento e reciclagem de água, alimentos, insumos, produtos e bens em geral, da coleta, transporte e tratamento de esgoto e lixo, do atendimento a emergências e outros serviços comunitários.

Mas apenas a instalação de aparatos tecnológicos não é suficiente para uma cidade ser considerada inteligente. A inovação social e a mudança de atitude dos cidadãos e dos gestores públicos deverão caminhar em paralelo com a inovação tecnológica. A popularização da internet e das redes sociais empoderou os cidadãos em todo o mundo, aumentou o acesso à informação, a capacidade de organização e trouxe nova dinâmica na relação com o poder público.

Cileneu Nunes é CEO da Upaya Desenvolvimento Corporativo; empreendedor, mentor e acelerador de startups.

Matéria publicada na Revista NTUrbano Ed. 42 Novembro/Dezembro de 2019