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Fabus divulga carta aberta à comunidade sobre os efeitos da pandemia no setor

15/03/2021 | Geral

CARTA ABERTA À COMUNIDADE EM GERAL E EM ESPECIAL À CADEIA DO SISTEMA DE TRANSPORTE COLETIVO DE PASSAGEIROS POR ÔNIBUS

São Paulo, 15 de março de 2021

Frente aos desafios impostos pela pandemia do COVID-19, que via de regra ocasionou disrupção global do curso normal de inúmeras atividades, atingindo amplamente diversos segmentos da indústria e do comércio em geral, refletindo nesta situação calamitosa que trouxe desabastecimento e aumento desenfreado das principais matérias primas, que ao que tudo indica, parece não existir controle! A FABUS - Associação Nacional dos Fabricantes de Ônibus emite esta carta aberta à comunidade considerando a necessidade de alertar para as consequências e efeitos indesejáveis de todo o desencadeamento deste processo.

Desde o início da pandemia, diversas medidas foram necessárias para mitigar os efeitos danosos e na tentativa de evitar a disseminação do vírus, chegando até a paralização de atividades por determinados períodos, seja no transporte urbano, bem como no rodoviário. O transporte público é considerado um direito social pela Constituição e, sem dúvida, tem sido impactado sobremaneira em razão das necessidades operacionais impostas pelos respectivos poderes concedentes de transportes sem a devida compensação financeira, mas os governos enfrentam barreiras para conceder auxílio aos operadores para manterem minimamente a frota em operação, o que poderá impactar em muito a mobilidade e a produtividade do país.
Adicionalmente aos percalços deste cenário de recorrente propagação de vírus, a indústria automobilística, onde o setor fabricante de ônibus está inserido é brutalmente atingida por diversas formas e vem enfrentando sérias restrições na cadeia de fornecedores em seus diversos níveis, em especial da ruptura logística global, que agora provoca o desabastecimento de suprimentos essenciais como por exemplo, aço, alumínio, componentes plásticos, borrachas, semicondutores e produtos eletrônicos, etc.

Não obstante, nesta mesma estrada somam-se os incontáveis aumentos das matérias primas provocados pela expressiva depreciação do real frente ao dólar, aumento do minério de ferro, petróleo cuja maioria de seus derivados compõem grande parte dos insumos e componentes usados pela indústria, conforme se observa que comparativamente de janeiro de 2020 a janeiro de 2021 o aço e o PVC aumentaram 115%, ABS 154%, vidros 48%, eletrônicos, tintas e químicos 30%, Poliuretano 70%, alumínio 45%, cobre 35%.

Nesta perspectiva, apesar de toda mobilização em conjunto com as entidades representativas dos diversos setores e todos os esforços e negociações com a cadeia de suprimentos e de estratégias adotadas pelos fabricantes de ônibus para minimizar os efeitos indesejados pelo desabastecimento e dos aumentos exagerados de preços dos insumos, não há como a indústria absorver os repetidos aumentos que ultrapassam em muito os índices oficiais de inflação. Tampouco poderá garantir, para entregas futuras dos seus produtos a médio prazo, com base nos preços recentes, porque já temos novos aumentos do aço para março/abril na ordem de 12% a 60% e novos aumentos para junho.

Mesmo que os inevitáveis reajustes nos produtos do setor de ônibus não transfiram o repasse mínimo necessário, certamente provocarão impactos nas planilhas de custos das operadoras do setor de transportes, que por si só demandaria reajustes nas tarifas o que não tem sido praticado em função dos contratos vigentes, tarifas políticas, e também para não penalizar ainda mais os usuários. Isto fatalmente acabará prejudicando a renovação da frota comprometendo o crédito e a sobrevivência de todos os elos da cadeia do sistema de transporte que é considerado essencial ao cidadão.

O cenário é crítico sob qualquer ótica, basta ver também pela produção total acumulada de jan e fev de 2021 comparando com jan e fev de 2020 onde tivemos um decréscimo de 42%, com uma caída expressiva no segmento de ônibus urbanos na ordem de 75%.

Como representante de um importante setor de transportes, entendemos que a ''transparência empresarial é uma forma de gestão e de relação entre as organizações, seus públicos de interesse e seu ambiente, pelo qual elas se esforçam para tornar visível e compreensível sua atividade e processos de tomada de decisões" que ante a este cenário merece um olhar ampliado por parte dos órgãos do governo federal e de todos os setores envolvidos para estudar formas de ajudar o setor de transporte coletivo.

O cenário urge também por uma rápida aprovação das reformas e medidas estruturais, para redução do Custo Brasil e não esquecendo da atenção especial na área da saúde para acelerar a vacinação da população brasileira, considerada única forma de retomar plenamente a nossa atividade econômica e desenvolvimento de nosso Brasil.
 

Rubem Antonio Bisi - Presindente Fabus

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