área de acesso restrito
  • continuar conectado
Lembrar minha senha
sem cadastro

Um desafio ainda a ser vencido

11/03/2021 | Entrevista

Por Christian Michael Wahnfried

Desde a implantação do Programa Nacional de Biodiesel, em 2004, a indústria automotiva tem participado de grupos de trabalho e testes em componentes, motores e veículos. Quando adotamos os limites de emissões Proconve P7, em 2012, o teor vigente de biodiesel era de 5% (B5). Em 2014, veio o B7, sem a necessidade de novos testes, mas somente adequações na norma de qualidade do biodiesel e teor igual ao europeu, mercado de referência da indústria automotiva. Já nessa época, surgiam reclamações de falhas devido a depósitos de envelhecimento do biodiesel e maior acúmulo de água nos tanques.

Em 2016, o governo federal criou o Renovabio para contribuir com as metas do Acordo de Paris e incentivar o uso de combustíveis renováveis. O teor de biodiesel passou a 10% em 2018, com aumentos anuais, até chegar ao B15 em 2023.

Nesse momento, o Brasil se descolou de outros mercados, como a Europa B7. Perdemos nossa maior referência e iniciamos uma caminhada por terreno inexplorado. Como garantir a durabilidade e a economia das aplicações com um novo combustível em um país de dimensões continentais, com desafios logísticos e de qualidade de combustível?

Sob a coordenação técnica da AEA, foram definidos testes das misturas B10 e B15 para verificar a adequação das propriedades ao parque veicular existente. Com base nos resultados, a ANP realizará neste ano a revisão das normas de qualidade do diesel e do biodiesel. Em paralelo, está em curso a elaboração de um manual de boas práticas de manuseio do diesel para suporte aos distribuidores, postos e usuários, na adoção de cuidados necessários para manutenção da qualidade do novo diesel comercial.

Ainda temos um grande desafio pela frente: em 2022, entra a nova fase de limites de emissões Proconve P8, trazendo redução de 80% de NOx e de 67% de particulados, além da exigência de 700 mil km de durabilidade de emissões para veículos pesados. O desafio não está nas tecnologias de motores e de catalisadores muito mais avançadas que as atuais, já em uso na Europa, mas, sim, no teor de biodiesel elevado, de efeito desconhecido sobre tais tecnologias.

Para garantir uma transição suave, estamos discutindo a realização de novos testes e as necessárias adequações nas normas de qualidade. Mais do que nunca, a adoção de boas práticas será fundamental para a manutenção da qualidade do combustível em toda a cadeia logística, garantindo a durabilidade e a economia dos veículos a diesel.

 

 

Christian Michael Wahnfried, especialista em Requisitos e Combustíveis na Robert Bosch Ltda. e coordenador da Comissão Técnica de Diesel e Biodiesel na AEA (Associação Brasileira de Engenharia Automotiva)

Fonte: Revista CNT